11/11/2021 às 10h46min - Atualizada em 11/11/2021 às 10h46min

Morte do motoboy Kelton Marques completa dois meses e suspeito segue foragido

Delegado responsável pelas investigações diz que prender Ruan Ferreira de Oliveira "é uma questão de honra"

Portal Correio
Suspeito de matar motoboy, Ruan Ferreira continua foragido (Foto: Arquivo/Portal Correio)
A morte do motoboy Kelton Marques de Sousa, de 33 anos, vítima de crime de trânsito na Avenida Flávio Ribeiro Coutinho (Retão de Manaíra), em João Pessoa, completa dois meses nesta segunda-feira (11). O principal suspeito, Ruan Ferreira de Oliveira, continua foragido. Quem tiver informações sobre o paradeiro dele pode denunciar por meio do telefone 197. A denúncia é gratuita e sigilosa.

O delegado responsável pelas investigações, Rodolfo Santa Cruz, reconheceu que a demora da prisão é frustrante. “Não podemos deixar de externar nossa frustração por não ter tido sucesso pleno como desejávamos. O inquérito está concluído. Estamos com os autos em devolução pelo Ministério Público para cumprir algumas poucas diligências que não demandam tempo. Toda dificuldade é em localizar o suspeito e dar cumprimento à ordem judicial de prisão. Isso realmente nos incomoda bastante”, admitiu o delegado.

Rodolfo Santa Cruz disse que para a Polícia Civil prender Ruan Ferreira de Oliveira “é uma questão de honra”. Ele destacou que o suspeito está no rol de criminosos foragidos da Justiça paraibana e que o encerramento do inquérito não fará com que as buscas deixem de existir.

“Não está havendo injustiça. A Justiça tem sido retardada por indisposição do autor do fato a colaborar, a se subjugar à lei brasileira. Mas o inquérito tramitou, está sendo concluído e certamente o suspeito será denunciado. Existe uma ordem judicial de prisão, Ruan é um foragido da Justiça. Uma pessoa dessa não está livre do que fez. Ele não circula pela rua livremente, não pode botar a cara na rua porque, se fizer, vai ser preso”, completou.

Em entrevista à TV Correio, a viúva de Kelton Marques, Tatiana Andrade, sugeriu que Ruan Ferreira de Oliveira conta proteção política. Segundo ela, o acusado teria envolvimento amoroso com a filha de um ex-prefeito do Sertão e o próprio pai de Ruan também já teria se candidatado a prefeito na região.

“Nós pedimos às autoridades, à Segurança Pública e ao governador da Paraíba que deem mais atenção a esse caso porque o assassino continua foragido. Sabemos que ele está sendo protegido pelas famílias dele e da namorada. Ele tem uma cobertura muito grande do meio político. Por isso que até hoje ele não foi encontrado. Se fosse ao contrário, se Kelton tivesse cometido um crime contra Ruan, meu esposo já estaria preso. Nós somos os menos favorecidos. Eles têm dinheiro, privilégio”, desabafou.

Entenda o caso

Vídeo gravado de dentro do carro conduzido por Ruan Ferreira de Oliveira mostra que o automóvel trafegava a 163 km/h e ultrapassou o sinal vermelho no cruzamento onde aconteceu o choque com a motocicleta. A gravação foi obtida pela família da vítima junto à polícia e cedida à imprensa.

Kelton seguia em velocidade normal pela Avenida Miriam Barreto Rabêlo quando foi atingido por Ruan. Ele foi arremessado a alguns metros e teve morte instantânea.

O carro se chocou com o muro de um condomínio e ficou parcialmente danificado. Imagens registradas por câmeras de segurança da região mostram o motorista fugindo a pé, aparentemente sem ferimentos. Latas de cerveja vazias e maconha foram encontradas dentro do automóvel de Ruan Ferreira de Oliveira.

Desde a data do crime, 11 de setembro de 2021, familiares e colegas de Kelton Marques já realizaram vários protestos na Capital para cobrar justiça. O mais recente foi na última segunda-feira (8).

A Polícia Civil ainda tenta cumprir o mandado de prisão preventiva expedido contra Ruan Ferreira de Oliveira.

No dia 13 de setembro, o primeiro advogado contratado por Ruan Ferreira de Oliveira falou à Rede Correio Sat que o cliente iria se entregar e que ele a família estavam recebendo ameaças. A apresentação voluntária à polícia não ocorreu e um novo advogado assumiu o caso cerca de uma semana depois.

O Portal Correio buscou contato com a nova defesa de Ruan Ferreira de Oliveira por várias vezes, inclusive nesta quinta-feira (11), mas nunca obteve resposta.

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