19/04/2022 às 20h46min - Atualizada em 20/04/2022 às 00h00min

Crianças e adolescentes ainda sofrem as consequências da pandemia de Covid-19

Psiquiatra alerta para a necessidade de pais e estarem atentos a mudanças de comportamento

SALA DA NOTÍCIA Cristiane Miranda Malheiros
Internet
O caso de 26 alunos de uma escola pública de Recife que passaram mal com sinais de crise de ansiedade, despertou novamente o debate a respeito das consequências em crianças e adolescentes dos efeitos da pandemia. Os estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio Ageu Magalhães, localizada na Zona Norte do Recife, apresentaram sudorese, saturação baixa e taquicardia, considerados sintomas de crise de ansiedade. 

“Esse caso, especificamente, precisa ainda ser estudado mais a fundo, mas nota-se uma crise coletiva de ansiedade. O que percebemos é que os dois anos em que a maioria das crianças e adolescentes ficou em casa, sem poder sair, ir à escola, sem o convívio social, trouxe um prejuízo enorme. Já ouvimos relatos de pais e mães que estão percebendo alterações comportamentais em seus filhos”, diz a psiquiatra Kelly Pereira Robis, professora da PUC/Minas e UFMG.    

Além desse fato ocorrido na escola em Recife, outras situações estão aparecendo com adolescentes tendo crises de agressividade, brigas com colegas e até mesmo com professores. Diante disso, é preciso uma análise mais ampla se as escolas estão preparadas para abrigar esses adolescentes e crianças, após um período bastante significativo de isolamento. 

“O que devemos pensar é que, após tudo o que aconteceu com as famílias por causa da pandemia, onde muitos perderam parentes para o Covid-19, acolher novamente esses alunos não passa apenas pela reestruturação física das instituições de ensino. É necessário ter um olhar para as reais necessidades dessa criança e desse adolescente. Talvez, repensarmos o que será o ensino daqui para frente”, avalia a psiquiatra.     

Em 2021, uma pesquisa realizada pelo movimento Todos pela Educação- com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, revelou os reflexos da pandemia de Covid-19 na educação com 244 mil crianças e jovens fora da escola, ou seja, famílias que deixaram de matricular seus filhos. “As crianças e adolescentes sofreram e ainda estão sofrendo com as limitações impostas pela pandemia. Pais, professores, todos envolvidos na educação, precisam aprofundar o debate em relação a essa nova escola, entendendo as reais necessidades desse aluno”, conclui a psiquiatra.
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