20/04/2022 às 11h53min - Atualizada em 20/04/2022 às 11h53min

Caso Júlia dos Anjos: Padrasto confessa ter estuprado adolescente nos últimos quatro meses

Segundo o suspeito, abusos aconteciam quando a mãe de Júlia saía de casa. O último aconteceu no dia do assassinato

Portal Correio
Francisco Lopes confessou estupro e assassinato da enteada (Foto: Reprodução/TV Correio)
O padrasto da adolescente Júlia dos Anjos Brandão, de 12 anos, Francisco Lopes, confessou, nesta quarta-feira (20), em novo depoimento à Polícia Civil, que abusava sexualmente da menina há quatro meses. O último estupro sofrido pela vítima teria ocorrido no dia do crime.

Quando confessou ter matado a enteada por asfixia, Francisco Lopes negou ter cometido qualquer tipo de violência sexual contra Júlia. No entanto, ele teria mencionado o estupro na audiência custódia e, por isso, a Polícia Civil pediu um novo depoimento.

De acordo com apuração da TV Correio, Francisco Lopes contou à polícia que esperava a mãe de Júlia sair de casa para ficar sozinho com a adolescente.

Apesar da confissão, as autoridades ainda aguardam o resultado do exame sexológico para concluir o inquérito.

Entenda o caso Júlia dos Anjos

Júlia dos Anjos Brandão, de 12 anos, desapareceu de um condomínio residencial no bairro de Gramame, em João Pessoa, no dia 7 de abril. Segundo familiares, Júlia tinha saído de casa somente com o celular. Os parentes da adolescente acreditavam que ela havia sido raptada ou induzida a sair de casa por algum estranho.

A principal linha de investigação apontava para uma pessoa no Instagram. O perfil em questão se apresentou à adolescente pela rede social e ofereceu serviço de marketing digital. A mensagem da suposta consultora prometia um aulão gratuito a Júlia e dizia que a adolescente poderia ganhar dinheiro com a internet. O delegado Rodolfo Santa Cruz descartou a suspeita porque a pessoa foi localizada, tem endereço, contatos ativos e está em outro estado.

De acordo com a Polícia Civil, a última pessoa que viu a adolescente em casa foi o padrasto, Francisco Lopes. Nos primeiros depoimentos, ele informou às autoridades que, a pedido da esposa, Josélia Araújo, foi até o quarto de Júlia por volta das 6h40 do dia 7 de abril para verificar se ela já havia levantado. Segundo a versão inicial do padrasto, a adolescente dormia e Francisco teria saído para trabalhar logo em seguida. A mãe de Júlia se levantou por volta das 9h e percebeu que a menina não estava em casa.

Desde então, parentes se mobilizaram nas buscas por Júlia. O pai dela, Jeferson Brandão, que mora no Paraná, veio a João Pessoa com a atual companheira e uma tia da adolescente. A mãe dela, que está grávida de dois meses, também participou da procura por Júlia. Os familiares da menina percorreram diversos bairros e áreas de mata na Capital.

O desfecho trágico da história aconteceu no dia 12 de abril, com a confissão do padrasto. De acordo com o delegado Hector Azevedo, responsável pelas investigações, Francisco Lopes alegou que Júlia não aceitava a gravidez da mãe e temia que a adolescente fizesse algum mal contra o bebê. A confissão do padrasto ocorreu após a Polícia Civil confronta-lo sobre divergências entre o depoimento dele e outras oitivas e apurações. O corpo de Júlia foi encontrado em um poço na Praia do Sol, local indicado pelo suspeito.

Francisco Lopes teve a prisão mantida após audiência de custódia. Segundo apuração da TV Correio, durante a sessão, ele teria confessado abuso sexual contra a enteada, informação que não havia sido apresentada no depoimento à Polícia Civil.

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